Reações alérgicas a insetos

Reações alérgicas a insetos

A época de férias é um período geralmente bastante prazeroso, mas a exposição aos insetos pode trazer alguns problemas desagradáveis. Pessoas alérgicas podem se deparar com intensa coceira na pele, sem saber ao certo o que aconteceu. Minutos após, podem ocorrer manchas pelo corpo e os sintomas desagradáveis de uma reação grave, como falta de ar e desfalecimento (também chamada de anafilaxia). Mesmo que o problema não seja tão grave, as lembranças da viagem podem ser um pouco amargas.

Sabe-se que boa parte das crianças pequenas apresentarão uma erupção chamada de estrófulo: manchas pequenas avermelhadas e algumas elevações com aparência de acne, em diversas partes do corpo. Os venenos de insetos (pulgas, formigas, mosquitos) são considerados como causadores do quadro, mas, freqüentemente, não sabemos com clareza quem são os culpados. Até alterações na produção de líquidos digestivos já foram aventadas em trabalhos científicos. Atualmente, acredita-se que a imaturidade imunológica seja a explicação para o fenômeno.

Nem todas as crianças que passam por isso são alérgicas e, ao longo da infância (após 3 – 4 anos de idade), costumam deixar de ter esse quadro desagradável. Por isso, existe uma atenção especial do médico em diferenciar alérgicos (ou possíveis alérgicos) daqueles que terão este quadro apenas temporariamente, por mais um ou dois anos. Esta diferenciação tem razões práticas, pois dificilmente será prescrito um tratamento muito prolongado (como a vacina alérgica, por exemplo) se não houver certeza de que o paciente tem essa falha genética: a alergia (ou atopia). Nem sempre a resposta é definitiva nos primeiros anos de vida, já que, nesta fase, freqüentemente os exames não são positivos.

A coceira produzida pelo veneno do inseto pode estimular o ato de coçar. Aí aparecerem outros problemas. Não somente as lesões são pioradas pelo uso da unha, como as bactérias – que habitam nossa pele – são empurradas para dentro do orifício da picada. Isto pode resultar em uma infecção, ou seja, proliferação das bactérias e formação de secreção purulenta (quadro resultante da infecção bacteriana). Alguns diagnósticos são empregados nas variantes de infecções de pele e geralmente resultam em um olhar surpreso do paciente. Piodermite (“pus na pele”) e impetigo (variadas lesões disseminadas e superficiais causadas por bactérias) são termos que se sobrepõem. Mas a palavra celulite é a que causa maior incredulidade, por ser muito usada no dia-a-dia da cosmetologia.

Celulite, a rigor, é a infecção bacteriana que se espalha por baixo da pele (na camada de gordura) e exige maior atenção. Há vermelhidão e inchaço. Nessas situações de infecções por bactérias, provavelmente o médico receitará antibióticos, sejam locais (em creme), ou – com maior probabilidade – por via oral. Em alguns casos, quando a celulite está próxima de locais delicados, como olhos ou articulações (as “juntas”), a internação é necessária.

No caso dos alérgicos, as reações rápidas (ou imediatas) podem tomar proporções dramáticas. Picadas de vespas, abelhas ou formigas lava-pés (ou formigas-de-fogo; em inglês, fire ants) às vezes levam o paciente à morte. Ao menor sinal de comprometimento da respiração, como falta de ar e sensação de aperto na garganta, a avaliação médica será indispensável. Pacientes com tendência de apresentarem quadros graves poderão ter uma prescrição especial para a automedicação de emergência.

A prevenção de uma picada nem sempre é possível. Os insetos, em sua maioria, atacam-nos quando se sentem ameaçados. Sabemos disso, mas tendemos a nos descontrolar quando somos rondados por um possível agente causador de sofrimento. De qualquer forma, uma das maneiras de evitar a proximidade de abelhas, por exemplo, é não parecermos um ramo de flores. Roupas brilhantes e uso de perfume podem confundir e atrair a abelha que, reconhecendo-se em perigo, ataca o ser humano, deixando o ferrão penetrado na pele, para morrer logo em seguida. Devemos, neste caso, retirar o ferrão com cuidado, evitando espremer o saco que fica na base, que armazena veneno adicional.

Em relação às pessoas sensíveis a picadas de formigas, evitar o passeio descalço em áreas com possíveis formigueiros, além do possível uso de antialérgico (ou anti-histamínico) de última geração, conforme orientação médica. Talvez a prevenção efetiva de picadas de mosquitos seja a mais difícil, mas vale a pena tentar: repelentes próprios para a idade, aparelhos que afastam mosquitos e telas especiais são orientações básicas que diminuem significativamente a probabilidade de um encontro indesejável. Pesquisas recentes, além de revisões de vários trabalhos já produzidos, não demonstraram eficácia no uso de alho ou vitaminas do complexo B.

Como tratamento imediato, existem substâncias, encontradas em casas de alergia, que atenuam a sensação imediata de dor e ardência, talvez de forma semelhante à aplicação de gelo, um recurso simples, barato e bastante eficiente. Além dos antialérgicos por via oral, as cortisonas locais podem ter um papel importante no alívio do incômodo, após algumas horas do início do uso.

As medidas de prevenção têm grande importância na vida dos alérgicos, particularmente nos casos graves; nos outros, o médico vai ponderar que medidas devem ser seguidas à risca, considerando que, principalmente na infância, o contato com a natureza também ajuda a definir nossos traços de personalidade, além de contribuir para uma vida mais saudável.

Raul Melo